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quarta-feira, 19 de junho de 2013

A Maria, em "A Madalena e eu"

– Estás tão bonita, Maria! – elogiou a mãe, – olhando-me de alto abaixo. – Onde é que foste desencantar essa túnica brilhante?
E mais um bocadinho...
 Foi o João Pedro que me deu.
Era de facto linda, a minha túnica branco-sujo com aplicações de brilhantes, que lhe dava uma tonalidade cinzenta. Depois, enfiei umas leggings cinzentas e umas sandálias brancas e prateadas de tacão alto.
– Ai, mãe, estou tão preocupada com o jantar. E se alguma coisa corre mal?
– O que é que pode correr mal, filha? Vá, deixa-te de tolices!, vai tudo correr sobre rodas, o jantar está a ficar uma delícia, a Alice caprichou mesmo, não sai da cozinha, a pobre coitada!
– E a mesa está bonita, não está, mãe? A Mónica, imagine, mãe, a Mónica!, foi ela mesma apanhar as flores e arranjar o centro com dálias e camélias… – Apesar das flores da Mónica, aquele assunto continuava a preocupar-me: – E se a Madalena faz uma birra?
– Uma birra? Fora de questão, Maria, ela fica sentada à mesa, bem controlada, entre o Manel e o Miguel, e sabes como é, basta o pai abrir-lhe os olhos…
– Não estou certa disso, mãe, a Madalena está furiosa com a história de ter sido despromovida de «menina das alianças».
A minha mãe deixou-se cair no sofá. Imagino como tudo aquilo era, para ela, um desgaste enorme… A cozinha, a mesa, nós os sete, os namorados, o casamento não se sabia quando, e agora, a juntar a tudo, as possíveis birras da mais nova num jantar de cerimónia.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A Mónica, em "A Madalena e eu"

Só para aguçar a curiosidade...

Está certo. Eu estava irritada, era um daqueles dias em que me apetecia despedaçar o mundo em mil bocados… O cabelo espetava em todas as direções, a Alice não tinha tirado as nódoas do meu top predileto, os ténis estavam sujos de lama e nascera-me uma borbulha horrorosa, daquelas que têm uma cabeça branca gigantesca, mesmo por cima do lábio… Mas havia pior, o Mister, nessa manhã de sábado, não parava de ladrar, pois avistara um gato em cima do muro do jardim e ficou cá num desassossego, que nem vos digo! Alternava o ladrar e a inquietação com o ganir da fúria, lambendo os beiços de vontade…